sexta-feira, 11 de novembro de 2011

História-Diamantes e Peixes- Por Yanki Tauber




Diamantes e Peixes
 Por: Yanki Tauber


Existiu certa vez um homem pobre que ouviu dizer que numa terra distante, do outro lado do mar profundo e perigoso, havia um lugar onde os diamantes eram tão abundantes como a poeira – tudo que se precisava fazer era abaixar-se, pegar um punhado e encher os bolsos.

Após uma viagem longa e difícil, o homem chegou àquela terra maravilhosa. Tudo que tinha ouvido era verdade! Diamantes de todos os tamanhos estavam espalhados pelo chão – até a areia era formada por bilhões de minúsculas gemas faiscantes. Um grupo de crianças se reuniu para observar o estranho homem que, ajoelhado no chão, enchia os bolsos com pedras e pedrinhas, porém nosso amigo estava muito ocupado para notar as crianças.

Para celebrar o fim de sua pobreza, o viajante encomendou um luxuoso jantar no melhor restaurante da cidade. Sentindo-se generoso, ele entregou ao garçom um pedra de tamanho pequeno e disse a ele que podia guardar o troco. Nem é preciso dizer que teve de passar o resto da noite lavando louça na cozinha para pagar pela sua extravagância.

Ele logo entendeu que aquelas pedras, que no seu país valeriam milhões, eram totalmente inúteis. Aqui, a moeda corrente usada pelo povo para pagar por bens e serviços era o peixe. De fato, poucas pessoas se lembravam que o peixe era originalmente consumido como alimento. Ninguém se incomodava com o mau cheiro que emanava das carteiras, bolsos e armários com dinheiro. 
Quando superou a decepção pelo seu sonho perdido, nosso viajante revelou-se como um indivíduo ambicioso e esperto. Trabalhou muito, investiu sabiamente, e não demorou muito para se tornar o homem mais rico do país. Suas empresas estavam instaladas na parte mais malcheirosa da cidade, e seus cofres guardavam milhares de toneladas de peixe.

Finalmente, chegou a hora de voltar para casa. Ele telegrafou à família: "Estou rico. Jamais precisaremos de mais nada na vida. Preparem uma recepção triunfante." Ele carregou sua fortuna numa frota de navios e empreendeu a longa viagem.

Familiares e amigos, vestidos com as melhores roupas, o esperavam ansiosos no porto. Obviamente, não havia nada a ser feito com aquela carga imensa de peixe estragado, exceto voltar alguns quilômetros e despejá-la em alto mar. 

Mais tarde naquele dia, quando ele estava se despindo para dormir, algumas pedrinhas minúsculas caíram dos bolsos de suas roupas, espalhando-se pelo chão da casa. Ele e a família nunca mais precisaram de nada na vida.

A alma, em sua morada lá no alto, ouve histórias maravilhosas sobre uma terra distante. Para ali chegar, é preciso cruzar um mar profundo e traiçoeiro. Enormes tesouros, assim é dito, estão ali para serem apanhados à vontade. Uma moeda dada para caridade, uma prece recitada, uma vela acesa para receber o Shabat, uma palavra bondosa dirigida a um irmão com problemas – os reinos mais elevados, sem corpos físicos e realidade material, conseguem apenas sonhar com tais tesouros.

A alma desce ao mundo material e descobre que tudo aquilo que fora dito sobre este lugar é verdadeiro. Os diamantes enchem as ruas. Para onde quer que se volte, a pessoa tem oportunidades incontáveis de cumprir mitsvot, fazer o bem e realizar atos Divinos. Basta apenas curvar-se até o chão e encher os bolsos.

Porém esses "diamantes" não são valorizados nesta terra estrangeira. "Riquezas" de um tipo inteiramente diverso acenam; então, quando chega a hora de voltar, muitas almas se vêem carregando enorme quantidade de carga inútil para casa.

Porém nenhuma alma pode passar por nosso mundo sem apanhar pelo menos algumas mitsvot ao longo do caminho – gemas que enriquecem os céus e fazem a viagem ter valido a pena…



Fonte:http://www.chabad.org.br/

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