quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Parashá Vayishlach [Gênesis 32:4-36:43] - Baseada nos ensinos de Rabeinu Nachman


Parashá Vayishlach 
[Gênesis 32:4-36:43]

Pesquisa, tradução e adaptação:
Yashar David  e Shlomo ben Avraham

RESUMO


  A parashá desta semana começa por relatar o regresso de Yaacov ao seu lar, que temendo o seu irmão Esav, decidiu enviar emissários para conseguir uma conciliação com ele. Mas voltaram com a notícia de que Esav se aproximava com quatrocentos homens armados.  Isto fez com que Yaacov temesse de que seu irmão vinha para matá-lo e por isso dividiu a sua gente em dois acampamentos, porque se fosse atacado, o outro podia escapar. Não obstante, Yaacov rezou ao Todo Poderoso para que evitasse qualquer tentativa de morte e assim enviou presentes a seu irmão.

Não obstante, toda a sua gente começou a movimentar-se e cruzaram o vale de Yaboc, levando todos os seus bens.  Yaacov ficou sozinho e apareceu-lhe um estranho que começou a lutar com ele por toda a madrugada. Esse “indivíduo” não pôde vencer Yaacov e a única coisa que conseguiu foi feri-lo num músculo. Yaacov deteve-o até conseguir que o bendissesse e na sua bênção fez-lhe saber que mais à frente o seu nome seria Israel (lutou com Hashem).  Yaacov viu que que tinha lutado com um anjo do Eterno.  Ao afastar-se, Yaacov coxeava do seu músculo e é por isso que até aos nossos dias não comemos  o tendão do músculo (nervo ciático) de qualquer animal.

Depois Yaacov viu aproximar-se Esav com a sua gente e decidiu  colocar cada filho junto da respectiva mãe. Yaacov aproximou-se de Esav inclinando-se sete vezes durante o caminho. Milagrosamente, Esav ao ver a atitude do seu irmão comoveu-se e correu ao encontro de Yaacov e beijou-o.  Ambos choraram.
Depois separaram-se e Yaacov dirigiu-se a Shchem, Canaã, onde comprou terra para habitar e edificou um altar em agradecimento ao Todo Poderoso.

Aconteceu que o príncipe de Shchem raptou Diná, filha de Yaacov e forçou-a a levar para cama.  Os seus irmãos Shimón e Leví resgataram-na e conseguiram matar o príncipe e a todos os demais varões.
O Eterno ordenou a Yaacov que voltasse para Bet El e que vivesse ali.  Levantou um altar em agradecimento ao Todo Poderoso e Ele renovou a Sua promessa de entregar-lhe a ele e à sua descendência essa terra.

Quando saíram de Bet El para Bet  Lechem, a sua esposa Raquel teve um menino ao qual chamou Benjamin e em seguida faleceu.  Ela foi sepultada nesse lugar.  Mais tarde Yaacov encontrou-se em Hebron com seu pai Itzchak, este faleceu e foi ali sepultado por seus dois filhos, Yaacov e Esav.
Como não havia espaço suficiente para apascentar os rebanhos de Esav e de Yaacov, Esav e a sua família mudaram-se com todos os seus bens para o monte Seir em Edom.  Esav teve uma ampla descendência.

              
COMENTÁRIO BRESLEV DA PARASHÁ

 “Então enviou Jacó mensageiros diante de si a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, o território de Edom, tendo-lhes ordenado: Deste modo falareis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e com ele fiquei até agora;“  (Gênesis 32:3-4)

Quando uma pessoa reflete profundamente sobre a vida, meditando no que ele fez e tem feito, surgem muitas perguntas, porém quase toda humanida questiona com frequencia:

Porque eu me limitei a esta rotina existencial? O que eu realmente realizei na minha vida, além de simplesmente lutar pela minha própria sobrevivência?

Será que o  objetivo da vida é lutar para sobreviver, lidar com os problemas cotidianos e suportar as pressões da vida diária, as demandas de trabalho, família, amigos e sociedade?

Se o fim do homem é a sepultura, então o que é essa bagunça chamada vida? O que estou fazendo aqui? Qual é a utilidade e a finalidade da vida?

Como posso dar sentido ao mundo que me cerca? As lutas diárias que enfrento, qual é o propósito? Como posso evitar que minha vida seja um desperdício?

"Qual é o ganho [verdadeiro] que o homem tem de todo o seu trabalho que se fadiga debaixo do sol?" (Eclesiastes 1:3)

A HISTÓRIA DAS OFERTAS DE YAACOV E  A DESCOBERTA DO SENTIDO DA VIDA

Ninguém está satisfeito apenas em sobreviver. Não queremos ser como os animais, que, agindo puramente por instinto, não fazem mais que comer, beber, dormir, acasalar e lutar para sobreviver. A busca da alma humana gira simplesmente em busacar um sentido para vida.

A Torá tem a saida para esta e outras questões, ela nos ensina como potencializar totalmente nossas vidas.
Podemos ver isto oculto dentro de suas histórias, incidentes e debates , encontramos surpreendentes revelações para cada aspecto da vida. Temos que nos sintonizar para ler nas entrelinhas e compreender o código alegórico, as palavras por trás do texto literal.

Todo verdadeiro sábio da Torá era um especialista em compreender todos os significados ocultos.
Portanto, só é possivel atingir o nível mais alto da verdade e da compreensão, se nos laçarmos completamente nas interpretações reveladas pelos sábios da Torá.

No entanto, os rabinos escreveram enigmaticamente a fim de que seus ensinamentos e revelações não caiam nas mãos de pessoas indignas que iriam torcer seus ensinamentos para atender às suas próprias paixões.

Nos parágrafos seguintes vamos descobrir e discutir algumas das soluções escondidas que a Torá oferece para as questões acima mencionadas, com base nas ideias do sagrado Rabi Nachman e seu discípulo Rav Natan de Breslev.



HASHEM INTENCIONALMENTE CRIOU ESTE MUNDO IMPERFEITO PARA QUE O HOMEM FOSSE FORÇADO A TORNÁ-LO PERFEITO AO FAZER A VONTADE DE D'US, O SAGRADO ABENÇOADO SEJA!

Yaakov dedicou 14 anos de sua vida estudando a Torá de forma dura na Academia de Sem, mas seu maior desafio foi os 20 anos de sua vida que passou trabalhando como um pastor para seu tio perverso e trapaceiro.

Para um homem muito espiritual como Yaacov, ganhar dinheiro, ser um empresário bem sucedido e herdeiro dos bens do sogro, seria um tremendo desperdício de tempo. Para não mencionar o obstáculo de ficar espiritualmente atrofiado por viver com ao lado do sogro mal caráter.

Qualquer outra pessoa, por mais espiritual que fosse, seria absorvida. Assimilada pela forma de vida desregrada e distante de D’us, o Sagrado Abençoado Seja. O hambiente que Yaacov teve que morar pela vontade Divina, era um lugar completamente contrario aos princípios da Torá e da fé no Único. Mas HASHEM INTENCIONALMENTE CRIOU ESTE MUNDO IMPERFEITO PARA QUE O HOMEM FOSSE FORÇADO A TORNÁ-LO PERFEITO AO FAZER A VONTADE DE D'US, O SAGRADO ABENÇOADO SEJA! (Gênesis 2:3)

É por isso que Yaakov foi forçado a abandonar seu estilo de vida e teve que se dedicar durante 20 anos no cuidado das ovelhas da Lavan.

Precisamos entender bem este processo Divino.

O pastoreio é uma das profissões mais braçais que se pode exercer, completamente oposto ao estilo de vida de Yaakov, até aquele momento, já que este só se dedicava aos livros e a vida religiosa.

Uma das missões de Yaakov era conectar a fisicalidade à sua essência interior, resgatando as faíscas santas e trazendo-as ao seu estado perfeito, como mencionamos acima.

Para cumprir sua missão, Yaakov teve que envolver-se em uma das mais baixas ocupações.
Ao aceitar a vontade de D'us, o Sagrado Abençoado Seja, mesmo atolado na imundície espiritual associada a este trabalho, ele conseguiu conectar os aspectos físicos dessa ocupação, e provou que é possivel elevar todos os níveis materiais, independente da situação ser favoravel ou não.

Agora é importante entender que Yaacov não tentou assumir esse empreendimento do dia para noite. Ele preparou-se lentamente, passo a passo, a fim de evitar o fracasso.
Na sua juventude teve que sair da casa, forçado a fugir de seu irmão, Esav, ele ficou na academia de Shem e Ayver durante 14 anos, estudando a Torá intensamente, parando apenas por alguns momentos de sono. Após completar seus estudos, ele viajou para a casa de Lavan seu perverso tio.
No caminho, ele parou para rezar no local do futuro Templo Sagrado.

A função da oração, especialmente, na casa de oração, no Templo, é unificar o mundo físico ao espiritual (razão pela qual itens físicos, tais como os animais eram oferecidos no Templo, para ligar o mundo material ao espiritual).
Assim, antes de Yaacov  ter que encontrar o materialismo grosseiro, ele teve que  orar no local cujo objetivo é elevar as coisas mateirais ao seu nivel espiritual.
Assim, após a preparação espiritual, Yaacov estava pronto para desafiar as profundezas do mundo material, a fim de conectá-lo a Hashem.

É por isso que Yaacov teve o sonho da escada, cuja base estava no chão, atingindo até os céus. O sonho que Yaakov teve ensinou que o materialismo terreno é realmente enraizado nos céus e que era seu dever e destino conectar este mundo corporal às suas raízes celestiais. Aliás, este é o papel de cada judeu!

A VIDA  DE YaaCov, DO INICIO AO FIM, FOI SÓ PROBLEMA

O início da vida de Yaacov foi dedicada ao serviço e a busca a Hashem (D'us). Ele estava  envolvido principalmente com estudo intensivo da Torá, com poucas distrações externas.
Ele não tinha que lidar com o mundo exterior, com a pessoas más e corruptas engolidas pelas exigências materiais da vida.

De repente, tudo acabou. Sem qualquer aviso, Yaacov foi forçado a lidar com o mundo exterior, não sendo mais capaz de permanecer em seu ambiente isolado, servindo a Hashem com total liberdade.
 Ele foi arrancado de sua existência simples e santa, foi empurrado em um confronto severo com as forças do mal, ao ponto de ter que fugir de seu irmão, que estava  sedendo de vigança. A vida de Yaacov encheu-se de problemas, um após o outro, praticamente até seus últimos dias.

Esav e Lavan (Labão), tio de Yaacov, eram a epítome de tudo que era mau, corrupto e errado com o mundo. Yaacov não apenas conviveu com eles como teve que suportar todo tipo de constragimento espiritual e físico que se possa imaginar.

POR seguir estritamente a leis da Torá Ya'acov foi capaz de elevar e conectar o mundo MATERIAL ao mundo espiritual

Como mencionamos acima, Ya'acov era um pastor de ovelhas, trabalhando para Lavan seu sogro, mas não apenas um funcionário comum, ele era responsavel em elevar as faíscas santas que estão ligadas ao mundo físico.

 Por ser estritamente observante das Leis da Torá, Yaacov era capaz de neutralizar completamente todo o mal contido no mundo material elevando e conectando tudo a  Hashem.
Além disso, o domínio espiritual de Yaacov no mundo físico o elevou a um nível tal de pureza que ele poderia viver as situações espirituais mais poluentes sem se contaminar o rebaixar-se.

Este foi o significado das palavras de Yaacov ao seu irmão Esav: "E eu tenho adquirido bois e jumentos, ovelhas e servos e servas, e eu envio esta mensagen, para dizer ao meu senhor [sobre todas as minhas aquisições] , para achar graça aos teus olhos." (Gênesis 32:6)

Esav queria matar Yaacov, seria lógico sair se gabando das riquezas que ele tinha alcançado? Isto não poderia levar Esav a ficar ainda mais furioso?

Mas o que Yaacov estava dizendo a Esav é que tudo que ele possuía, na verdade era de D’us, o Sagrado Abençoado Seja, e que ele [Yaacov] era apenas um servo de Hashem, nada mais. O único objetivo de Yaacov era elevar o mundo inteiro. Yaakov não tinha qualquer ligação com o mal, com a busca por poder e riquezas e, portanto, seu objetivo não era disputar ou reivindicar nada  do seu irmão. Além do mais, nada poderia ser feito a ele, pois pelo fato de estar ligado a Hashem, Esav, não teria poder para fazer-lhe mal algum.

Dito de outra forma, quando a mente é aperfeiçoada através da Torá, ela alcança a graça e o valor aos olhos do mundo. Em nosso versículo, Yaakov deu a entender que ele havia se tornado unido a Hashem e, por isso, lhe, tinha sido concedido a graça, ou valor aos olhos dos outros e, portanto, nenhum mal, poderia acontecer a ele. (Lekutai Halachoth Choshen Mishpat Hilchoth Pe'kadon 4:19-21)

Quando estamos ligados À Torá nunca HÁ razões para desespero

Todos nós podemos transcender e superar os ambientes espirituais mais hostis. Assim como Yaacov podemos ficar mais fortes e ainda mais perto de Hashem do que se não tivéssemos passado por nenhuma dificuldade.

Rabi Nachman ensina que uma fortaleza é uma estrutura tão poderosa que nada pode derrubá-la. Se uma pessoa deseja muito alguma coisa, nenhuma força (que não seja Hashem) no universo pode impedi-la de alcançar sucesso.

Portanto, vemos que Yaacov amava a Hashem com tanta intensidade, que ele estava determinado a fazer de tudo para realizar a vontade Divina, não importava o obstáculo nem as condições adversas. Assim, ele foi capaz de encontrar Hashem, apesar da grande escuridão das circunstâncias dificeis que o perseguiu durante toda sua vida. Yaacov era capaz de transformar o  mundo inteiro de trevas em luz. Ele prevaleceu sobre todos os seus conflitos e problemas.

Ele se tornou como Rabi Nachman definia: "Um homem digno de se sentar em um trono." De fato, o Talmud nos diz que Yaacov chegou a um ponto de perfeição tão grande que uma imagem do seu rosto está gravado no Trono Celestial da Gloria de D'us, o Sagrado Abençoado Seja!” (Talmud: Chullin 96).
Além do mais, devemos entender que Hashem nunca dá a uma pessoa uma dificuldade que ela é incapaz de lidar ou enfrentar. Se alguém permanece firme, expressando através da oração, sua necessidade de ser ajudado, apesar de tudo o que acontecer ela acabará por receber assistência Divina.


HISTÓRIA

Discutimos acima como Yaacov tinha fugido de Esav seu irmão e como depois de aprender a confiar em D’us, o Sagrado Abençoado Seja, ele retornou para casa, demosntrando seu crescimento espiritual a ponto de não temer mais nada.

Na verdade, o Midrash relata que Yaacov enviou anjos reais como mensageiros para intimidar e assustar a Esav e seu exército. Um episódio semelhante aconteceu durante a vida do Rebe Zusha, HaTzaddik.
Um bando de soldados alegres após uma triunfante vitória foi comemorar na taverna de Yankel, o estalajadeiro. Eles Beberam tanto, que Yankel disse que não podia mais vender-lhes bebida.

Mas eles gritaram: "Dá-nos mais bebida!" Frustrados, irritados e sobre o forte efeito do álcool, eles começaram a destruir a taverna de Yankel e o ameaçaram:

"Se você não nos der mais bebida vamos quebrar os seus ossos e os ossos de seus filhos!"

Yankel aterrorizado, não sabia o que fazer. Então uma ideia lhe veio à cabeça - ele saiu correndo para ver o santo Rebe Zusha.

Yankel rapidamente contou desesperado ao Rebe toda a história.

O Rebe imediatamente parou seu estudo de Torá e foi com Yankel até o estabelecimento comercial. Quando chegaram, o Rebe olhou para os soldados e pronunciou as palavras: “coloque [Hashem] Temor sobre eles." Repetiu a frase várias vezes. De repente, os soldados pararam e olharam o semblante santo do Rebe Zusha através da janela, e ficaram aterrorizados - seus dentes começaram a bater, seus joelhos tremeram e suas mãos tremiam. Eles saíram correndo pela porta da taverna em um ataque de pânico. Eles continuaram correndo até que seu general viu-os e ordenou-lhes pararem e voltarem para a estalagem.  Quando o general viu a destruição que os soldados tinham causado, ele ordenou que eles pagassem a Yankel cada centavo do prejuízo.

Na história acima vemos como é importante em meio a um conflito que não sabemos como resolver, procurar nosso Rebe. Ele certamente terá a visão e a força espiritual necessária para nos ajudar.

Certamente existem pessoas que não têm Emuná chachamim, confiança nos sábios e desprezam seus sefarim e conselhos.
Mas o Yezter Hará tenta nos dissuadir de ouvi-los, e diz dentro de nós: "Olha, o sefarim do Tzadikim são demasiado elevados para você, eles não são para o seu nível." Ou ainda: “Você não precisa disso, você é capaz de resolver tudo sozinho.” Desse modo, ele mantém uma pessoa longe de D’us, o Sagrado Abençoado Seja!
Devemos, portanto, fortalecer-nos muito na nossa crença e confiança nos Tsadikim. Isto não significa apenas acreditar que um determinado indivíduo é mais santo que nós e serve a Hashem. Confiar no chachamim significa que toda a essência da revelação do Tzadik no mundo tem como objetivo conduzir 'todos nós' para perto de Hashem e Sua Avodah.

Quando uma pessoa se torna mais forte em sua fé no Tsadik, ela começa a entender que se o Tzadik dedicou sua vida inteira a ensinar-nos estas “Toratot”, nós devemos certamente reservar tempo para estudar seus sefarim, e procurar dentro de nós mesmos a orientação para um perfeito Avodah Hashem.
Devemos ter em mente o que Rabeinu disse que cada conversa que ele teve com a gente, cada palavra, tem por objetivo nos tornar servos dignos. Basta termos o cuidado de colocar em prática.

Rav Natan, de justa e abençoada lembrança, explica que o principal não é apenas estudar muito, mas aplicar pouco a pouco o que Rabeinu nos ensinou. Preste bastante atenção a cada Torá, para entender os conselhos práticos, as orientações e inspiração que são derivados deles. Mesmo nos poucos lugares que parecem à primeira vista não serem compreensíveis, contém conselhos maravilhosos e inspiração para você chegar perto de Hashem. Se você vai inclinar seu coração em aprender, você vai definitivamente achar conselhos de acordo com seu nível. Tudo o que Rabeinu ensinou pertence a cada pessoa no mundo em todos os níveis espirituais.

Cada Torá do Rebe conduz cada individuo de volta a Hashem, podemos encontrar orientação para todas as áreas da vida em cada Torá que o santo Rebe nos ensinou (Veja Chayei Moharan, Ma'alas Toraso 19, Sichot Haran 131)



“Obra realizada com a permissão de D’us, o Sagrado Abençoado Seja!”
 Direitos reservados A BRESLEV BRASIL
A cópia e uso do conteúdo são permitidos apenas com expressa citação da fonte


Fonte:http://judaismovivo.com.br/



História-Mudando as leis da natureza Sobre Rabi Israel Báal Shem Tov


Mudando as leis da natureza
Sobre Rabi Israel Báal Shem Tov

Durante toda a vida, Rabi Israel Báal Shem Tov esforçou-se para chegar à Terra Santa. Ele costumava dizer que se ele e Rabi Chaim ibn Attar,1 que morava em Jerusalém, juntassem forças, eles trariam o Mashiach, Porém isso não aconteceria. Diversas vezes, Israel Báal Shem Tov saiu em busca do seu destino, mas durante o percurso todo tipo de infortúnios e catástrofes o forçaram a voltar para casa de mãos vazias.

Uma dessas jornadas que falharam deixou Rabi Israel e sua filha, Adel, perdidos e sem dinheiro em Istambul na véspera de Pêssach, sem matsá, vinho ou qualquer provisão para a Festa. Misteriosamente, os poderes espirituais do Báal Shem Tov também tinham se afastado dele, e sua mente brilhante estava em branco – ele mal conseguia se lembrar das formas do alef-bet.

Rabi Israel já tinha ido à sinagoga e sua filha estava contemplando a mesa vazia do sêder quando um homem bateu à porta. “Sou da Polônia,” disse ele, “e estou viajando pela cidade a negócios. Fui informado de que dois judeus do meu país estão hospedados aqui. Eu gostaria muito de passar a Festa com vocês.”
“É bem-vindo para compartilhar nossos alojamentos,” disse Adel, “mas infelizmente, não podemos oferecer-lhe muito para um sêder. Nada temos – nem matsot, nenhum vinho, ervas amargas, nem sequer uma vela para honrar a Festa…”

“Não importa,” disse o hóspede, “tenho tudo comigo. Eu sabia que teria de passar Pêssach na estrada, portanto trouxe todas as provisões necessárias para a Festa. Há o bastante para todos nós.”

Quando Rabi Israel voltou da sinagoga, encontrou um sêder totalmente completo à sua frente: velas acesas, matsá, vinho e todo o necessário para cumprir as mitsvot do dia. Sua alegria não teve limites, pois naquele momento o espírito Divino também tinha voltado a habitar sua alma.

Depos que tinham recitado a Hagadá, comido a matsá e o maror, e estavam desfrutando a refeição festiva, Israel Báal Shem Tov voltou-se para o convidado e disse: “Você me devolveu a vida. Como posso retribuir? Peça qualquer coisa que quiser, e prometo que seu pedido será atendido.”

“D’us me abençoou com riquezas,” disse o homem, “e não desejo nada material. Porém minha mulher e eu estamos casados há muitos anos, e não conseguimos ter um filho. Rabi, vejo que o senhor é um homem justo e sagrado. Certamente suas preces podem abrir os portões do Céu. Por favor, abençoe-nos com um filho.”

“Eu prometo,” disse Rabi Israel, “que antes de um ano você estará segurando seu filho nos braços.”

Assm que estas palavras saíram de sua boca houve uma grande comoção nos Céus, pois este homem e sua mulher tinham nascido sem a capacidade de gerar filhos. Porém até os Céus devem submeter-se à lei de que “[D’us] faz a vontade daqueles que O temem” (Tehilim 145:19). A promessa do Báal Shem Tov teria de ser cumprida.

Uma proclamação foi emitida e ressoou nos mundos sobrenaturais. 

“Este homem e sua esposa de fato terão um filho. Porém como o Báal Shem Tov forçou a mão do Céu a mudar as leis da natureza, ele perdeu sua porção no Mundo Vindouro.”

Ao ouvir esta proclamação, a face do Báal Shem Tov reluziu de alegria. “Como sou afortunado!” gritou ele. “Acabo de aprender que perdi o direito à toda recompensa celestial pelas minhas boas ações. Toda a minha vida eu me preocupei com a idéia de que talvez meu serviço ao Todo Poderoso fosse manchado pela expectativa da recompensa. Agora, no entanto, meu serviço a D’us será puro, livre da possibilidade de qualquer motivo escuso!”

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Músic: Vo Sim,Posso Sim Na Nach Version!

Música:

Vo Sim,Posso Sim 

Na Nach Version!


Veja Mais no Canal: 

A Atração Gravitacional do Tzaddik-Preciosos ensinos de Rabeinu Nachman


A Atração Gravitacional do Tzaddik

Adaptação-Tradução por:
Gabriel Yosef Ben Yashar


Todas as coisas e todas as criaturas ficam o tempo todo sobre a terra. A única maneira de deixar a Terra é usando alguma força de compensação que supera a força da gravidade, o distanciamento do objeto da terra é de acordo com a intensidade da força de compensação. Assim que a força de compensação cessa, o objeto retorna à Terra.

Assim, quando uma pessoa lança um objeto para cima, quanto maior a sua força, maior ele o objeto vai se distanciar da terra. Depois, no entanto, quando a força de compensação termina, o objeto cai de volta para o chão por causa da atração gravitacional da Terra, que atrai tudo a ela. Se não fosse por isso, nada ficaria na terra, porque a terra é uma bola redonda e tudo no mundo está em sua
superfície. É por causa da atração gravitacional da Terra que um objeto jogado cai de volta à terra, logo que a força de compensação cessa.

O Tzaddik é a "terra", pois "o Tzaddic é o fundamento do mundo" (Provérbios 10:25) e tudo repousa sobre ele. O Tzaddik tem um poder de atração gravitacional que atrai tudo para ele, o Tzaddik verdadeiro é o fundamento do mundo e tudo deriva dele. Todos os Tzaddikim os outros são apenas ramos do Tzaddik verdadeiro, cada um segundo seu nível: um pode ser um ramo, enquanto outro pode ser um ramo de um ramo. Este Tzaddik exclusivo torna-se como poeira: "eu sou pó e cinza" (Gênesis 18: 27). 

Ele é a fundação do mundo, precisamente porque ele é "pó" e assim ele suporta tudo.

Então por que a humanidade não é atraída por este Tzaddik que é o "pó" e tem esse "poder de atração". Porque no entanto, as pessoas são separadas e distantes do Tzaddik por uma força de compensação, por causa das palavras e ações de certos indivíduos que força as pessoas à se distanciar do Tzaddik de acordo com a intensidade da força de compensação. No entanto, quando esta força cessa de compensação, a pessoa é, mais uma vez é atraída para o Tzaddik, que é o "pó" e possui uma força gravitacional de atração.

Algumas pessoas continuam muito longe do Tzaddik enquanto elas ainda estão sob a influência da força de compensação. Mas assim que essa força é interrompida, elas se aproximam novamente. E quando viaja para perto do Tzaddik, quanto mais perto ela chega do Tzaddik, maior o seu desejo se torna, porque ela está se aproximando da fonte de atração.

Likutey Moharan I, 70

A Moeda na Frente do Olho

O sol brilha constantemente com a mesma intensidade sempre. O que bloqueia a luz do sol é só a terra, que se interpõe entre o homem e o sol. Devido à posição da terra, a luz se espalha apenas gradualmente à medida que o dia começa, mas vai aumentando até que se espalha sobre a terra.

Da mesma forma, a luz do Tzaddik brilha constantemente, enquanto a barreira está do lado dos receptores.Essa barreira é a intervenção "terra" - neste mundo material. As pessoas estão tão profundamente afundadas no mundo material que elas são incapazes de receber a luz do Tzaddik.

A Torá é muito grande e larga, e está diante dos olhos das pessoas, mas esse mundo nos impede de ver a luz da Torá. Mesmo sendo esse mundo milhares de vezes menor que a Torah.

Como algo tão pequeno bloqueia a visão de uma coisa que é milhares de vezes maior?

Para entender isso, Imagine uma pequena moeda, colocada em frente de seus olhos, isso pode impedir você de ver uma grande montanha, embora a montanha é incontáveis ​​milhares de vezes maior que a pequena moeda. No entanto, porque a moeda está diretamente na frente de seus olhos, ela bloqueia todo o seu campo de visão.

Da mesma forma, quando uma pessoa entra neste mundo físico, ele permanece afundada nas vaidades do mundo e imagina que não há nada melhor. Este pequeno mundo insignificante está em seu caminho, impedindo-o de ver a luz incrível da Torá, que é milhares de vezes maior em comparação. Este é exatamente o paralelo ao caminho a grande luz do sol que é bloqueada pela terra  mesmo que o sol é muitas vezes maior do que a terra.

"O caminho dos Tzaddikim é como uma luz radiante" (Provérbios 4:18) - uma luz radiante como o sol, que brilha constantemente. O único obstáculo é a terra, que bloqueia a luz mesmo a terra sendo tão pequena em comparação com o sol. Da mesma forma, o irradiar da luz dos Tzaddikim brilha constantemente, exceto que a Terra intervém e impede as pessoas de verem a sua grande luz. Apesar da grandeza da luz do Tzaddikim a insignificância de todo este mundo pequeno intervém, impedindo alguém de ver a sua luz, como no exemplo da moeda.

Mas é fácil de remover a moeda de diante de seus olhos - e assim que você fizer isso você vai ver a montanha, que é muito maior. Da mesma forma, com um movimento simples que você pode remover esse mundo de antes de seus olhos. Então você vai ser capaz de ver a grande luz da Torah e dos Tzaddikim, que se irradia em todos os mundos.

Likutey Moharan I, 133

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sippurei Chassidim - História - A Chave Mestra



Sippurei Chassidim -A Chave Mestra

De: Rabi S. Y. Zevins 
Adaptação: Yanki Tauber

Certo ano, Rabi Israel Báal Shem Tov disse a Rabi Ze'ev Kitzes, um de seus discípulos veteranos: "Você tocará o shofar para nós neste Rosh Hashaná. Quero que você estude todas as kavanot (meditações cabalistas) pertinentes ao shofar, para que medite sobre elas quando tocar."


Rabi Ze'ev aplicou-se à incumbência com júbilo e entusiasmo: júbilo pelo grande privilégio que lhe fora confiado e entusiasmo pela enorme responsabilidade. Estudou as obras cabalistas que discutiam o significado multifacetado do shofar e o que é atingido por seu som nos diversos níveis da realidade e nas várias câmaras da alma. Preparou também uma folha de papel na qual anotou o pontos principais de cada kavaná, para que pudesse referir-se a eles ao tocar o shofar.

Finalmente, chegou o grande momento. Era a manhã de Rosh Hashaná, e Rabi Ze'ev subiu à plataforma de leitura no centro da sinagoga do Báal Shem Tov em meio aos Rolos de Torá, cercado por um mar de corpos envoltos em talit. À uma mesa no canto leste da sala estava seu mestre, o Báal Shem Tov, o rosto abrasado. Um silêncio respeitoso preencheu o aposento em antecipação ao clímax do dia – os pungentes toques e soluços do shofar.

Rabi Ze'ev procurou no bolso e sentiu-se congelar: o papel tinha desaparecido! 

Ele lembrava-se perfeitamente de tê-lo colocado ali naquela manhã, porém não estava mais. Furiosamente, perscrutou a memória para lembrar-se daquilo que tinha aprendido, mas seu desgosto pelas anotações perdidas pareciam ter incapacitado seu cérebro: sua mente era um vazio total. Agora deveria tocar o shofar como se fosse um simples chifre, sem qualquer kavanot. 
Com desespero no coração, Rabi Ze'ev soprou a litania de sons exigidos pela lei e, evitando o olhar de seu mestre, voltou a seu lugar.

Na conclusão das preces do dia, o Báal Shem Tov abriu caminho até o canto onde Rabi Ze'ev estava sentado, soluçando sob o talit. "Gut Yom Tov, Reb Ze'ev!" disse ele – "foi simplesmente extraordinário o toque do shofar que ouvimos hoje!"

"Mas Rebe… Eu…"

"No palácio do rei" – disse o Báal Shem Tov – "há muitos portões e portas, levando a muitos salões e câmaras. Os zeladores do palácio têm grandes argolas com muitas chaves, e cada uma abre uma porta diferente. Mas há uma chave que entra em todas as fechaduras, uma chave mestra que abre todas as portas.

"As kavanot são chaves, cada qual destrancando outra porta em nossa alma, cada uma dando acesso a outra câmara nos mundos celestiais. Porém há uma chave que serve em todas as portas, que abre para nós as câmaras mais recônditas do palácio Divino. Aquela chave mestra é um coração partido."

Fonte:
http://www.chabad.org.br/

Simplicidade_Preciosos Ensinos de Rabeinu Nachman

Simplicidade
Adaptado-Traduzido por:
Gabriel Yosef Ben Yashar


A Maior Sabedoria não é ser Sábio

Mesmo depois de toda a sabedoria e sofisticação - mesmo se você possui a verdadeira sabedoria - você deve deixar de lado toda a sabedoria e sofisticação e servir a Hashem(D'us) com completa simplicidade, sem qualquer sofisticação.


A maior sabedoria de todas não é ser sábio em tudo. A verdade é que ninguém no mundo é sábio, pois "não há sabedoria, nem entendimento. Diante de Hashem(D'us)" (Provérbios 21:30).


Likutey Moharan II, 44

Filho Amado do Rei

Sirva a Hashem(D'us) com simplicidade. Certifique-se que suas ações são maiores do que a sua sabedoria, porque a coisa principal não é estudar, mas sua aplicação prática. Isto, obviamente, não se aplica a maioria das pessoas comuns, todo judeu tem o dever de estudar, mas se aplica aquelas que só se dedicam ao estudo. Quando se trata de servir a Hashem(D'us), mesmo uma pessoa cuja cabeça está cheia de sabedoria genuína deve deixar um pouco de lado e naquele momento servir a Hashem(D'us) de forma simples e inocentemente.


Às vezes pode até ser necessário se comportar de uma forma que parece tola, a fim de servir a Hashem(D'us) e realizar a Sua vontade. Podemos ter de rolar na lama para servir a Hashem(D'us) e guardar Seus mandamentos. Isso não se aplica só para mitzvot explícitas. Qualquer coisa que Hashem(D'us) quer que façamos  também é chamado de mitzvah. Às vezes é preciso atirar-se na lama para executar uma ação certa que será agradável a Hashem(D'us).


Aquele cujo amor de Deus é suficientemente forte se torna Seu filho amado. Deus vai lhe mostrar abundante amor e bondade, permitindo-lhe explorar os reinos escondidos as de câmaras e até mesmo entender o que está além da sabedoria, incluindo o mais profundo de todos os segredos, como por que os justos sofrem e os maus prosperam.
Likutey Moharan II, 5


A Essência do Judaísmo

Quando uma pessoa segue suas próprias idéias , ele pode cair em muitas armadilhas e erros e chegar a um grande mal. Enormes danos foram causados por essas pessoas, como os vilões infames, que através de sua inteligência e astúcia, levaram o mundo inteiro a se perder.


A essência do judaísmo é conduzir-se em pura inocência e simplicidade, sem qualquer sofisticação. Certifique-se de que tudo o que você faça, Hashem(D'us) está lá. Não atender a sua própria honra. Sempre engrandecer a glória de Hashem(D'us), e saber que tudo vem para o bem!  Desta forma, você pode estar certo que você nunca vai tropeçar.


Tenha o cuidado de agir com a verdadeira inocência e simplicidade, mas não tola. Sofisticação, no entanto, é completamente desnecessário. Simplicidade, inocência e fé pode levá-lo ao mais alto nível de alegria.


Likutey Moharan II, 12

Não Ser Demasiadamente Rigorosos

Nossos rabinos ensinaram que é apropriado para cada pessoa a escolher para si uma mitzvah para observar com especial cuidado em todos os seus detalhes ( Shabat 118b). No entanto, mesmo com a sua mitzvah escolhida, você não deve ser excessivamente rigoroso ao ponto de loucura. Não deixe que isso te faça deprimido. Simplesmente tente manter a mitzvah cuidadosamente em todos seus pontos mais finos, mas sem meticulosidade excessiva.


Quanto as outras mitzvot, basta seguir as leis essenciais, sem acrescentar muitas     coisas extras. Se pudéssemos manter todas as mitsvot da Torá de acordo com a interpretação simples da lei(Shulchan Aruch), seria benéfico!


A essência de servir a Hashem(D'us) é a simplicidade e sinceridade. Ore muito, muito estude a Torá e realize muitas boas ações sem procurar ou inventar restrições desnecessárias. Basta seguir o caminho de nossos antepassados. "A Torá não foi dada aos anjos ministradores".


Se você pode cumprir uma mitsvá, cumpra. Mas se você não pode: Não deixe que isso te deixe triste, uma pessoa que faz tudo para cumprir uma mitsvá e mesmo assim não consegue, é como se ela já estivesse cumprindo "


Sichot Haran # 235


Fonte da Tradução do Inglês:http://www.azamra.org/




“Obra realizada com a permissão de D’us, o Sagrado Abençoado Seja!”
 Direitos reservados A BRESLEV BRASIL
A cópia e uso do conteúdo são permitidos apenas com expressa citação da fonte


Fonte:http://judaismovivo.com.br/



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Música: Guns N Roses - Sweet Child O'Mine Versão Na Nach




Música:

Guns N Roses - Sweet Child O'Mine 

Versão Na Nach













Veja Mais no Canal: 


Na Nach HuMoR

Hístoria-As Aparências Enganam - Por: Chana Weisberg


As Aparências Enganam
Por: Chana Weisberg



Rav Broka, da cidade de Mechoza, estava visitando a cidade de Beit Lept. Uma manhã, foi ao mercado. Estava lotado e muito barulhento. Os comerciantes vendiam suas mercadorias, e as pessoas se ocupavam comprando-as. Outras somente passavam por ali em direção a algum outro lugar.

Qualquer um podia facilmente reconhecer os judeus no mercado - por suas roupas e sapatos serem diferentes dos usados na época. Um homem envolto em talit, com tsitsit em seus quatro cantos, certamente era um judeu. Também, os judeus não usavam sapatos pretos naquele tempo. Igualmente, tomavam cuidado em não amarrar suas sandálias com tiras pretas. Portanto, quem usava sapatos coloridos, certamente, era judeu.

"No mercado torna-se bastante fácil reconhecer quem é judeu" - pensou Rav Broka. "Mas de todos estes judeus, eu desejaria saber quem merecerá definitivamente o Mundo Vindouro? Qual destes judeus seria tão piedoso para entrar no Gan Eden após sua morte?"

Enquanto Rav Broka ainda pensava sob o assunto, Eliyáhu Hanavi apareceu diante dele. Rav Broka, imediatamente, reconheceu Eliyáhu porque já o tinha visto antes. Fez a Eliyáhu sua pergunta: "De todos os judeus presentes aqui no mercado, quem merecerá definitivamente o Mundo Vindouro?"
Eliyáhu Hanavi examinou cuidadosamente o local e respondeu: "Tal homem acabou de chegar. Ele está lá, amarrando o cordão dos sapatos. Este é o homem por quem você está procurando!"
Rav Broka notou que o homem usava sapatos pretos, exatamente como os gentios, os quais estavam amarrados também com tiras pretas! E mais: não havia nem mesmo tsitsit, sob a roupa que usava!

Rav Broka achou difícil entender porque este judeu mereceria um lugar no Mundo Vindouro. Apesar dele ter acreditado nas palavras de Eliyáhu Hanavi, queria saber exatamente por quê o homem era considerado tão especial.

Então, Rav Broka o chamou; porém, o homem não lhe respondeu.
Rav Broka ficou surpreso, pois a maioria das pessoas apressavam-se em honrá-lo, satisfazendo seus pedidos. Mas, como queria realmente saber quais as boas ações que o homem havia feito, examinou-o inteiramente e perguntou: "Por favor, diga-me, qual o seu modo de vida?"
"Eu não tenho tempo para falar com ninguém agora" - o homem respondeu."Volte amanhã!" Dizendo isso, apressou-se e desapareceu na multidão.

Na manhã seguinte, Rav Broka o estava esperando. Quando o homem chegou, aproximou-se dele novamente, e juntos foram à uma pequena e silenciosa rua. Uma vez mais Rav Broka perguntou: "Agora, diga-me, por favor, quem é você e o que faz?"

"Eu sou um judeu" - o homem respondeu. "Trabalho como guarda na prisão dos gentios. Freqüentemente, judeus são presos lá, tanto homens como mulheres. Eu me certifico de que os prisioneiros e as prisioneiras tenham seus próprios alojamentos por razões de modéstia. E, quando os gentios planejam prejudicar as mulheres judias, tomo-me de grandes dores e até mesmo arrisco minha vida, se necessário, para salvá-las! De fato, eu já salvei muitas."

"Suas ações são admiráveis" - afirmou Rav Broka. "Mas se você é um judeu, por que usa sapatos pretos e os amarra com tiras pretas de forma diferente de todos os outros judeus? E por que não há tsitsit nos cantos de sua veste?"

O homem suspirou. "Estou de luto pela destruição de Jerusalém" - disse - "e sinto que não devo usar sandálias de tiras coloridas. E mais: ninguém deve saber que sou judeu. Este é o motivo pelo qual não posso amarrar tsitsit na minha roupa. É também a razão pela qual não quis falar com você ontem no mercado.

"Se eles descobrirem que sou judeu, não conseguiria mais salvar a vida de tantos judeus. Como me consideram como um deles, conversam abertamente na minha presença. Eis como descubro os seus planos perversos. Quando ouço uma conspiração, informo imediatamente aos nossos sábios, que rezam para Hashem ter misericórdia sobre Israel. Quando suas preces são aceitas, a trama malvada é anulada!"

"Por que você diz que não teve tempo ontem?" - Rav Broka prosseguiu com suas perguntas.

"Porque ontem ouvi falar sobre uma terrível conspiração, e estava apressado para informar os rabis."

Quando o homem terminou de falar, despediu-se e foi-se embora.

Rav Broka pensou consigo mesmo: "Quão grandiosos são os feitos deste homem! Todos os dias arrisca sua vida para salvar outros. Está ansioso em cumprir esta grande mitsvá, até mesmo quando se torna perigoso para ele. E faz tudo modestamente e em segredo; não se orgulha absolutamente de seus grandes feitos!"

Enquanto Rav Broka continuava pensando, Eliyáhu Hanavi apareceu ao seu lado uma vez mais.
"Eu aprendi" - disse o Rav Broka a Eliyáhu - "é muito fácil errar a respeito das pessoas. Não tivesse o senhor me dito, nunca saberia que este homem merece um lugar no Mundo Vindouro pelos seus bons feitos! Existe aqui, talvez, alguma outra pessoa que mereça também o Mundo Vindouro?"

"Na verdade, existem duas dessas pessoas caminhando agora na sua direção" - respondeu Eliyáhu Hanavi.

Rav Broka olhou cuidadosamente para os dois judeus, mas não pôde averiguar nada de especial neles, portanto, aproximou-se e disse: "Digam-me, por favor, quem são vocês e o que fazem?"
Os dois homens sorriram amistosamente e responderam: "Somos judeus simples e comuns. Não fazemos nada de extraordinário. Somos homens alegres e tentamos fazer outras pessoas felizes. Se vemos alguém triste, conversamos e brincamos com ele, até que o mesmo também se sinta feliz. Então, poderá mais facilmente aceitar as palavras da Torá de que lhe falamos. Sua fé em D’us fortifica e ela não se desespera mais.

"E, se vemos pessoas discutindo, também nos dirigimos a elas, contando vários temas agradáveis, até que se esqueçam de seus rancores e façam as pazes conforme a Torá ordena." Os dois homens terminaram de falar e deixaram Rav Broka só.

Neste dia, Rav Broka aprendeu que não se pode julgar alguém por sua aparência. Um judeu que parece ser simples e comum, e mesmo um judeu que parece não cumprir os Mandamentos da Torá, poderá ser muito precioso para D’us e merecedor do Mundo Vindouro.


Fonte: Talmud Bavli, Taanit 22a.